Sonetillo del falso Fernando Pessoa | Carlos Drummond de Andrade (Bilingüe)




Donde nací, morí.
Donde morí, existo.
Y de las pieles que visto
muchas hay que no vi.

Sin mí como sin ti
puedo durar. Renuncio
a todo cuanto sea turbio
que odié o sentí.

Ni Fausto ni Mefisto
a la diosa que ríe
de nuestro íntimo juego

heme diciendo: habito
más allá, soy aquí, ninguno,
mas no soy yo, ni esto. 

(Versión de Maricela Terán)


*** 

Sonetilho do falso Fernando Pessoa

Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.

Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.

Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,

eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.

(Claro Enigma)

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